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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

SONHOS DE FIM DE INVERNO


Sem pressa, fechou sua conta no Hotel Vila Real, em Guaratuba, e se preparou para o evento previsto para acontecer às 23:32 h...
Tinha tempo para aquele encontro, daí ter o cuidado de não se decepcionar, nem decepcioná-la!
Conduziu seu carro até um estacionamento utilizado pelos surfistas, num ponto deserto e sem iluminação noturna , não mais que a 8 km do centro da cidade.
Reclinou o banco após programar no som do carro algumas músicas em MP3, baixadas através da internet e se deliciou com elas, enquanto aguardava sua chegada.
Quase cochilou . . .quase!
Seria um desastre, mas se recuperou a tempo de seu embevecimento musical.
Pontualmente , 2 minutos antes do encontro, saiu do carro após tirar os mocassins e arregaçar a calça branca tirando a camisa para sentir a brisa do vento suave massagear seu peito.
Apanhou o estojo de couro preto , a maleta térmica no banco de passageiro e se dirigiu à praia, caminhando descalço sentindo a maciez da areia branca, fina e fria...
Sobre um tronco enterrado na areia a 10 metros da préamar, depositou os dois volumes e sentou-se à espera dela no momento em que a primeira lâmina de onda espraiada chegou mansamente a molhar seus pés.
Noite sem uma nuvem sequer, sómente o cintilar de milhares de estrelas num céu de breu azulado escuro.
No horizonte infinito do mar calmo, um suave clarão prenunciava o evento e no momento em que se pôs de pé, e passou sobre os ombros a alça do recipiente térmico, soprou um vento vindo de NO, porém de maneira delicada, fazendo seus cabelos louros e fartos se agitarem levemente.
Caminhou em direção à àgua até ter suas canelas e a barra da calça arregaçada serem tocadas por ela.
Foi rápido, e em menos de 1 min ela surgiu bela e radiante , esparramando seu manto prateado sobre as águas num feixe luminoso que atingiu sua alma e alegrou seu coração.
Abriu o feixe ziper da sacola térmica retirando a garrafa de cor escura e rótulo dourado...
Desenrolou o arame que prendia a rolha de cortiça sem pressa, e sem esfôrço de seus dedos ela saltou do gargalo com o agradável estampido...a espuma branca do Dom Perignon safra 55 transbordando!
Duas taças de cristal da Bavária receberam o líquido borbulhante...
Olhou para a Lua cheia que nesse momento já flutuava acima do horizonte, e sorriu feliz.
Uma das taças foi despejada na água, a outra tocou seus lábios com as bôlhas do champagne atingindo seu nariz de maneira tão aromática quanto o delicioso sabor que o néctar dos deuses lhe proporcionou ao paladar.
Se voltou para o NO e brindou sua nova amiga, que naquele momento deveria estar olhando para a mesma Lua Cheia, a uns 500 km de distância...
Voltou ao tronco encalhado, deixou ali a maleta térmica com a garrafa vazia e as taças.
Do estojo de couro retirou seu saxofone dourado que a tanto tempo lhe acompanhava.
Começou com Summertime, passou My Funny Valentine, Tenderly, e concluiu a serenata com a música preferida dele, em homenagem à nova amiga distante...o Harlem Nocturne.
Pouco depois tomou à rodovia que o conduziria à Curitiba naquela madrugada de lua cheia.
Exerceu seu outro prazer, o de dirigir seu Porsche em alta velocidade, o que o distraiu...

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